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por Almir Pascale Cardoso - Cronista, formado em administração de empresas. - almir_pascale@hotmail.com  
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FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

"Você estudou mais que eu, mas trabalhamos no mesmo lugar. Sua mulher fez faculdade, gastou um dinheirão para se formar professora, e agora leva três meses para ganhar o que a minha mulher que mal sabe assinar o nome ganha em um mês." 
Almir Pascale Cardoso

    Outro dia, estava à procura de uma calça social na cor cinza. Como sou exigente e tenho opinião formada, passei por várias lojas, mas não gostei de nenhuma calça que me foi oferecida. Ah, como odeio pedir uma coisa e após muitos minutos de espera, o vendedor todo sorridente, retornar dizendo que não encontrou o que pedi, mas que havia encontrado outras parecidas... mas nas cores, verde, marrom, preta, branca... e até um jeans “ que era a minha cara “, me foi oferecido. Cansado de procurar, optei por andar um pouco mais, e ir até a loja que costumo comprar, e principalmente, onde não tentam me empurrar coisas que não pedi. Lá chegando, pedi a calça ao vendedor e fiquei aguardando. Enquanto isto vi dois vendedores que freqüentemente ficavam conversando quando não havia clientes, e como estavam próximos pude ouvir a conversa:
- Mas homem, porque você tirou o menino da escola?
- Ah, ele já sabe ler, escrever, e é bom em números!
- Mas o menino ainda é novo, só tem doze anos!
- Moço, com a idade dele, eu já trabalhava na roça há muito tempo. E fora isso, ele precisa trabalhar para ajudar nas despesas, a vida tá cada dia mais difícil!
- Mas homem, hoje em dia tudo é diferente, se o menino não estudar que futuro vai ter?
- Ah, não vem não! Você estudou mais que eu, mas trabalhamos no mesmo lugar. Sua mulher fez faculdade, gastou um dinheirão para se formar professora, e agora leva três meses para ganhar o que a minha mulher que mal sabe assinar o nome ganha em um mês. Ela só estudou um ano, mas sabe costurar, vende perfume, creme de passar no rosto, panela, brinquedo e tudo que ela achar que vai dar dinheiro. Com a ajuda dela, a gente comprou um terreno, construímos nossa casinha, compramos carro, e agora também compramos nossa chácara. É certo que foi com muita dificuldade, mas compramos e pagamos. E você e sua mulher que estudaram mais que nós, moram de aluguel e andam de ônibus. O estudo não ajudou vocês em nada!
O outro vendedor baixou a cabeça, ficou quieto por alguns segundos, e depois falou:
- É... sou obrigado a concordar!
Finalmente o vendedor que estava me atendendo retornou, pediu desculpas e explicou que havia demorado porque tinha ido até o depósito da loja para encontrar a calça que havia pedido. E lá estava ela, na cor, modelo e número que havia dito. Como é bom ser bem atendido!
Poucos minutos depois, já saindo da loja vi o vendedor que era marido da professora, encostado em uma parede, de braços cruzados, e olhar pensativo... Provavelmente estava relembrando a conversa com o colega de trabalho. Neste instante, o outro vendedor, talvez arrependido por tudo que falou, disse uma frase que me deixou indignado.
Enquanto caminhava debaixo de um sol escaldante para comprar meu milk shake semanal, pensava na conversa... A que ponto chegamos, profissões como professores, escritores, médicos, policiais e muitas outras, com raras exceções, não são valorizadas em nosso país... Ah, a frase que me deixou indignado quando estava saindo da loja, foi a seguinte:
- O moço, desculpa por ter falado a verdade, mas se sua mulher quiser, ela pode sair da escola e ir trabalhar com a minha, te garanto que ela vai ganhar mais, e logo estarão comprando um carrinho e a casinha de vocês!
 

Autor:  Almir Pascale Cardoso - Cronista, formado em administração de empresas. - almir_pascale@hotmail.com   

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